Capítulo 10:
O SABER
Não se poderia abordar o egoísmo, sem a devida atenção ao SABER. Evidentemente que aqui se fundirá os conceitos de saber e conhecimento, posto não se pretender abordar a sabedoria, instinto, conhecimento atávico imemorial, que se manifesta no ser humano independentemente do conhecimento e que traduz o bom senso, a arte de trabalhar com as coisas humanas, sempre as conduzindo a um vector satisfatório e que poucos privilegiados detêm, os quais, eventualmente, tendo tido acesso ao saber, enquanto conhecimento epistemológico, puderam converter a intuição prodigiosa em ensinamentos imortais. Tratamos aqui do saber das ciências. Como a sabedoria, a ciência é uma manifestação da natureza, somente que traduzida em conceitos e resultado de uma observação, que ao contrário da sabedoria, conforme a acuidade do observador, altera-se com o passar do tempo, ora complementando os conceitos criados, ora os contrariando e ora criando novas teorizações. Tem o mérito de tornar aplicáveis mecanismos naturais nem sempre ao alcance dos indivíduos e o demérito de esgotar fontes igualmente naturais e ser incapaz de substituí-las, porque não cria, somente interpreta.
10.1: O egoísmo do saber divide-se em dois, sempre malus ambos:
1) A não difusão do conhecimento ou, em outras palavras, a retenção deste;2) A não mensuração dos efeitos do uso do conhecimento, incluindo a desnecessidade da especulação de determinadas manifestações da natureza. 10.1.1: A não difusão do conhecimento ou sua retenção:
É indiscutível que descobertas e estudos trazem largos benefícios, pelo menos ao ser humano, que tem assistido a uma melhora na sua condição de vida, especialmente na área de saúde, aonde a cada dia uma velha doença, um velho flagelo vem sendo debelado (embora todo dia apareça um novo vírus ou bactéria – como se o cientista, para não perder sua posição, criasse a nova doença laboratorialmente – mera especulação), onde os alimentos têm tido uma melhora nutritiva (resta saber os efeitos na natureza), mostrando-se um conforto cada vez maior (pelo menos para uma certa minoria).Tudo isto e muito mais decorre do conhecimento, mas este conhecimento tem sido efetivamente ensinado, permitindo que o neófito opte por esta ou aquela senda, ou é imposto a um determinado setor do saber, mínimo e necessário à manutenção dos grandes sabedores?O comportamento do ensino profissional e científico superior autoriza afirmar que a imensa massa de despreparados egressos das academias vem sendo vítima exatamente dos egoístas do saber, que muito embora detenham parcela da ciência a que se dedicaram, usam-na para manutenção de seu status e para afastamento de possível concorrência, o que, aliás, viria em melhorar a qualidade das ciências, represam seu conhecimento, resultando disto, como na propriedade, que muitos a necessitam, mas poucos a detêm.
Cabe alinhar, aqui, a arrogância da erudição, a exigência de um determinado repertório – que é dominado e deveria ser entregue pelo sábio – para que se possa entrosar com determinada comunidade científica. Há sinais próprios, linguagem especializada, fontes não-reveladas, conjunto indicador de uma soberba no saber que o exclui, que o torna exceção, veneno, quando deveria ser antídoto. 10.1.2: A não mensuração dos efeitos do uso do conhecimento
Sob os vários argumentos, o homem explorou a natureza, a detalhando em métodos, conceitos, teorias. Transformou seus elementos e gerou subprodutos, que embora não possam ser chamados de artificiais, posto que tudo tem uma só matriz, a natura, são danosos a toda a forma de vida, em decorrência de que houve a combinação de elementos antes neutros e posteriormente reagentes; a individualização de elementos neutralizadores e, por fim, houve a manipulação dos meios de vida e de harmonia naturais, revelando a ciência substâncias e resultados que a lógica natural quis ocultar (p.ex. certas formas de radiação, produtos agrícolas transformados, venenos, gases, etc.).Ora, se tais combinações e bens não estavam à disposição dos seres, foi justa a sua busca, foi medida a conseqüência de seu uso?Exatamente nesta indagação conhecemos o divisor de águas entre a especulação filosófica e a científica. A primeira, examina a essência, os valores e os fins a que se destina o objeto do estudo, sugerindo sua utilidade para o conjunto da vida, a segunda, a científica, é análise de meios que justificam fins, é inconseqüente quanto à apreciação contextual do objeto em revelação e aprende somente através da aplicação do sistema causa e efeito, insensível aos danos e seqüelas que possa ocasionar.Como exemplo simples da falta de medida, do elogio ao ego e ao possuir, podemos citar a devastação vegetal, a poluição ambiental (visual, sonora, atmosférica, etc.), os problemas com a camada de ozônio (talvez, até, a síndrome da imuno-deficiência adquirida). Maior egoísmo, maior referência ao individualismo não se pode encontrar, senão em referência ao manipulador do meio, que com seu conhecimento logra dominar o poder público, o econômico, a família, a estrutura social enfim.
10.1.3: A erudição é egoísta!
O possuidor do saber além de não dividi-lo exige, egoísta e arrogantemente, que os demais possuam ou devam possuir seu repertório, isto é, sua massa ou volume de conhecimento e estudo.Tem como ignorantes aqueles que não seguiram suas mesmas veredas do esclarecimento e da elucidação e quando se propõe a ensinar – o que efetivamente é raro – traz máximas e a presunção de que os demais devem ter um mínimo domínio dos mesmos temas e como não é possível que todos pensem da mesma forma, é tomado de indignação e recusa suas fontes, até porque, as designando, corre o risco de deixar de ser a deidade que se imagina.De tal maneira é que a erudição se encastelou nas academias e nos pequenos círculos, aonde todos imaginam que o mundo é o que pensam e escrevem e como poucos pensam e estudaram seus assuntos, são eles mesmos sóis de suas sociedades e guardam a palavra desconhecida ou esquecida do grupo para um porvir em que os demais, aquecidos por suas luzes eruditas, sejam dessedentados de sua alheação.Não há humildade no saber, mas há egoísmo, egotismo e vaidade.O trono do egoísmo é mui bem ocupado pelo eruditismo.
Capítulo 11:
O ESCRITOR
A manifestação do escrever, no ser humano, nada mais é do que a exteriorização de sentimentos e vontades já moldados e que tem fincas no íntimo de quem escreve, que quer a todo custo dar o que tem aos seus semelhantes, dês, é claro, que receba algum reconhecimento pelo que fez, seja admirado, crie escolas, inspire novos escritores, seja citado, objeto de redação ou de tese.Tudo isto é egoísmo, como, aliás, socorremo-nos, reiterando o antes já dito, tudo que promana do bípede pensante tem forma de auto-satisfação e, portanto, de sustentação de seu ego.Como nas linhas de Dostoiewski e seus perturbados e perturbadores personagens, desce com seu modo tredo de pensar aos infernos dantescos, procura o nirvana, se acomoda
em Nossos Lares Espirituais, adentra por um buraco negro, faz pacto com o demônio, descreve guerras, onde deuses intervêm, filosofa sobre a conduta humana, sobre a vontade, o estado, a política, a ciência, destrói (ou tenta) o conteúdo de tudo o que foi escrito, tenta recriar novas linhas de pensamento, diz o que pensa, ofertando ao mesmo tempo egoísmo bonus e malus e é inevitável, pois a dualidade é marca registrada da mulher e do homem, que o escritor ajude alguns, prejudique outros e crie, ainda, a categoria dos invejosos ou insatisfeitos, aqueles que concorrem, por concorrer, para mostrar sua própria força, somente pela elevação do deus EGO.Não concebemos a qual setor de nosso egoísmo serve esta crítica ao homem, este elogio ao egoísmo.Sabemos, apenas, que indignados com tantos vícios sociais, tantos desvios de conduta, tanta ausência de humanidade, resolvemos bradar, bem alto, toda a indignação com a manutenção dos sistemas de poder. Claro, isto é repetitivo, desejamos ser repetitivos, a memória dos poderosos, dos GRANDES EGOÍSTAS, é efêmera e somente são avivadas para realizar suas vinganças, o que também é egoísmo, ou para obter algum outro valioso bem.Queremos, é lógico, sejam lidas nossas reflexões, queremos, é lógico, sejamos respeitados por opiniões lançadas, mas se não o for, não pense leitor que deixaremos de ser egoístas, ao contrário, continuaremos. Nosso propósito, porém, nos abrindo à análise e ao senso crítico das pessoas, é despertar-lhes algum sentimento, de repulsa ou de atração, marcar-lhes a área sensível do córtex, para que os egoísmos sejam mais universalizados, para que, embora não esteja em nosso alcance o amor ou o perdão, em nome do temor de agressões a nós e aos amados, em defesa de nosso próprio egoísmo, abramos espaços aos hipossuficientes de saber e de poder.O escritor a cada linha está, obviamente, pensando na reação do leitor, ora insuflando-lhe o ódio, noutra instigando-lhe a curiosidade, podendo entristecê-lo, esperançá-lo, desesperá-lo, torná-lo louco ou são, abrir-lhe os horizontes ou inumá-lo nas trevas, que poder…, que poder egoístico nas mãos do escritor.Qual Zeus lançador de raios, o escritor retém tanto poder que a história, embora seja feita pelas obras e cicatrizes deixadas pelos poderosos políticos e econômicos, vêm sendo registrada e modificada ao talante do egoísmo de quem escreve e sob a sutil poesia ou o veemente protesto aqueles poderosos são destruídos, humilhados, substituídos, anônimos tornam-se heróis, estes vilões, ou vítimas, traidores em idealistas, idealistas em fanáticos e daí por adiante.Nada impede a quem escreve, de escrever, nem a censura, nem a perseguição, muito menos os críticos literários, que instilam no espírito do leitor a vontade de buscar o conteúdo de um texto execrado. Que egoísmo poderoso, que poder de egoísmo.
Capítulo 12:
A IMORTALIDADE
A que ente superior serve o Deus Ego? Sem dúvida nenhuma, na hierarquia das deidades íntimas que determinam o comportamental humanóide, grassa imponente, com a memória adâmica, a DEUSA IMORTALIDADE!Os egoístas, os grandes e os cotidianos, agem na realização de seus propósitos, em seu benefício, em busca de um certo conforto e poder durante sua existência curta ou trabalham na manutenção autofágica de seu egoísmo imaginando-se imortais?A resposta, de singelíssimo deslinde, direciona-se na errônea certeza de que vamos gozar dos bens, do poder, do conforto, das alegrias, eternamente, não fosse assim, para que tanta conquista, tanta competição, tanta mentira, tanto ódio, tanta guerra, para que tudo isto?Houvesse um meio de indicar ao homem como se esgota rapidamente a sua vida e talvez, ainda por egoísmo, não perdesse tanto tempo, em tantas frentes, em tantas lutas.Nenhum egoísta, especialmente os mais profissionalizados, pararam para pensar que, ou se extinguirão para tudo que está à sua volta, ou tudo que está à sua volta se extinguirá para si.Não creiam em qualquer perenidade, lembrem de Fausto, tendo condições de lidar com o poder ilimitado, ele mesmo foi consumido por este poder e indesejou a imortalidade. Grandes obras, monumentos, dinheiro, livros, podem ser imortais, aliás, a imortalidade é bem típica daquilo que é inanimado, que se não tem vida, não pode morrer, mas o egoísta, vive, sofrendo, é verdade, mas vive, sofre, não pelo temor de perder o que já tem, posto não ter a noção de sua efemeridade, mas por conseguir mais e mais, incessantemente, buscando engordar, seu já cheio de estrias e celulite, egoísmo, mas se tem força vital, esta chama se extinguirá e com a morte toda a sua busca será em vão.Há o argumento de que se tenho de morrer, porque não viver bem? Concordamos com tal, mas reperguntaremos: o que é viver bem?Seria dominar as vontades alheias, seria lutar sem tréguas para manter o poder, trair amigos, unir-se aos vis, comer das melhores iguarias, para virarem massa fecal, beber das melhores bebidas, para virarem urina ou bílis, ter um herdeiro que destrua tudo o quanto com muito esforço conquistamos? E todos padecem nesta conquista, construir, como Mausolo, um imponente jazigo para morrer, ovacionando a morte, como símbolo da imortalidade e se jactando de que será enterrado com dignidade e honras, para virar produto fétido e alimento de vermes, para dali em algum ponto do futuro ser referência como ossada para algum estudioso, que talvez até consiga a autorização de algum poderoso para fazer testes científicos nos restos da marca triste da existência?Que conforto, que bem estar mais confuso!Viver bem é não ter que sofrer continuadamente pela luta de um poder descontínuo.É viver um amor, enquanto houver amor, é sorver alguma coisa, sem depender dela para o cotidiano, é cercar-se de lealdade e de admiração, é ter a noção da mortalidade, para que cada dia seja apreciado com mais intensidade, é valorizar nosso egoísmo a partir desta, para que sejamos mortais na plenitude e não supostos imortais na conquista.Que desilusão ao GRANDE EGOÍSTA e faço questão de contribuir para isto, revelar-lhe que tudo, tudo o que realiza não poderá ser indefinidamente por ele usufruído, pois morrerá, e mais ainda, poderá morrer no auge de suas aquisições, jovem e quem sabe, ali no leito mortal, na negação da imortalidade que imaginava ter, após todos os tormentos que ele próprio gerou, tome a consciência de que as realizações concretizadas, antes de proporcionarem um viver bem, serviram, isto sim, para ocupar todo o seu curtíssimo tempo e siga assim sôfrego para o Hades, invejando todos os seres que de alguma forma prejudicou, esquecendo-os, traindo-os ou ignorando, tratando-os como reles mortais.
Capítulo 13:
A NOVIDADE
O egoísmo tem momentos brilhantes, rico em detalhes e requintes, dependendo do egoísta, sem dúvida.Igualmente, terá ocasiões de enorme frivolidade, de cansativa futilidade.Uma destas oportunidades, no seio da humanidade, está ligada à novidade.Novidade, diga-se, no contexto da exacerbação do ego, do egoísmo. Inovação, no sentido subjetivo de seu acontecimento no mundo fático, uma realização anímica do egoísta, plasmada à existência concreta, por través de suas condutas e sua ótica.Indica-se, desde o primeiro momento, assim, que a novidade, de que ora se fala, não é aquela característica de originalidade para o conjunto do grupo social, mas tão somente ao legítimo detentor do egoísmo.Desta maneira, o egoísta, dono de suposta nova idéia, de novo bem, corpóreo ou não, busca apresentá-lo aos seus semelhantes, pleno de orgulho pela aquisição, elabora demonstrações, oferece detalhes, aguarda elogios.Ignorado, pensa serem seus juízes ignorantes, ovacionado, julga-se o ente superior da comuna.Valoriza a sua novidade, desmerece a alheia.A cada circunstância que lhe proporcione um momento, geralmente inoportuno, de expor a novidade, busca cercar-se de supostos neófitos em relação à coisa, ele supõe sejam neófitos, e qual hierofante, numa iniciação, encaminha seus discípulos aos estranhos caminhos do imaginário novo.Dia-a-dia alguém, nalgum lugar, está construindo, todos estamos construindo: uma irrealidade a nos orbitar, e para que tudo isto?Indissociável das nossas relativas verdades, está a necessidade do inédito, do inovador, do novo, que permite um lançamento, ainda que íntimo, psicológico, do egoísta, do homem, ao patamar de destaque, referência ligada ao fato de possuir, de reter algo que naquele medíocre momento nenhum outro, encontrado no mesmo medíocre momento, conheça ou tenha, resultando desta imaginária vantagem, um desequilíbrio no mediano grupo, em favor do por ora mais egoísta, o qual se nutrirá da pobreza dos demais e sua própria.
Capítulo 14:
O AMOR
Platão magistralmente formulou inúmeras modalidades de amor. [1]Com efeito, nos Diálogos, em Um banquete, pela fala de Fedro indicou ser o Amor o mais antigo dos deuses, “o mais digno de homenagens e o que mais poderes tem para conduzir os homens à conquista da prestança e da felicidade, na vida como na morte. Também di-lo, por isto, sem pais[2]. O personagem segue indicando que na juventude não há “maior bem do que um amante leal” e esse modo de amar superaria as honrarias, a riqueza e outra força qualquer.O arguto Pausânias, na seqüência, prega que o Amor “não é um só”, registrando que nem todo “amor é decente”. Pode ser vulgar e voltado ao culto do corpo seja de homens ou de mulheres. Em contraposição, a calma e a continência nesse amor físico podem conduzir a virtudes na relação.Erixímaco, o médico, continua o debate observando que o amor não se aplica somente à alma humana, “mas também a outros seres e em relação a muitas outras coisas, aos corpos de todos os animais e ao que brota da terá e, por assim dizer, a tudo que existe”.Aristófanes prossegue palestrando sobre o Poder do Amor, examinando a natureza humana – aqui temos a passagem sobre os três sexos e os seres circulares ou esféricos e o nascimento do amor restaurador, porque cindidos os seres que continham os princípios feminino e masculino num só corpo, procuram a outra parte para se complementarem . Muito bem para Platão.Procuramos algo mais simples. Tal como a filosofia, egoisticamente, pretendemos falar das relações de mulheres com homens, de homens com mulheres.Ingenuidade; pensamos conhecer o tema.Pois bem!Nascemos, somos educados da forma que somos educados, já foi dito antes, e, afinal, com os impulsos hormonais ou as pulsões psicanalíticas, desejamos um companheiro ou companheira.De todo recomendável conhecer a Metafísica do Amor de Artur Schopenhauer, com a qual concordamos em termos, haja vista que embora seja verdadeiro que as pessoas se aproximam pela necessidade sexual, havendo subliminarmente um grito primal da natureza pela preservação da espécie, cremos que é mais tênue o controle da natura sobre nossas escolhas, predominando, portanto, o individualismo e não uma sutil força preservacionista da raça como afirma o filósofo.Para a tese em curso, importa, porém, a seguinte assertiva do pensador:O egoísmo é tão arraigado nos homens, que os fins egoístas são os únicos com os quais se pode contar com segurança para estimular a atividade de um ser individual. É verdade que a espécie tem sobre o indivíduo um direito anterior, mais imediato e mais considerável que a efêmera individualidade; entretanto, quando é necessário que o indivíduo aja e se sacrifique pela manutenção e desenvolvimento da espécie, pode ocorrer que à sua inteligência, orientada pelas suas aspirações individuais, não seja compreensível toda a importância da questão, e esse indivíduo não proceda, então, de maneira adequada. [3]
14.1: O desejo da mulher ou desejo feminino
Com algumas diferenças entre as mulheres, quanto ao máximo que esperam do par, o mínimo se relaciona com algo de segurança material, alguma satisfação sexual, procriação e fidelidade.Vamos por partes.Não se ignora as questões preliminares, a sensualidade, a atração física ou os atributos intelectivos, os quais sejam o móvel da aproximação da mulher face o homem. Tudo isto existe e ainda bem.Atendidos os dados chamativos que sugerem a aproximação das pessoas, passa-se, então, ao projeto ideal de realização pessoal. Em outras palavras, ao elogio do ego.Será insuficiente ao homem ser bonito ou inteligente, caso demonstre incapacidade de gerar riquezas. Sem comida na mesa, não há felicidade, e a relação se desgasta.Satisfação sexual. Ah, eis uma complicação. Mesmo havendo suporte material, talvez o casal não converse (e, em geral, não conversa), dissipada, daí, a novidade do toque, dos mistérios, virão as desculpas e, finalmente, as camas separadas. Neste ponto as mulheres calam-se mais. Não reclamam aos maridos e criam uma enormidade de desculpas.A procriação é utilizada de três formas. Na empolgação da descoberta sexual do casal, na inércia do relacionamento, como se fosse um dever ou, finalmente, para salvar a união.Fidelidade é o refrão (em geral) feminino. Traduzindo melhor. No nosso meio social é intolerável que o homem ou a mulher tenham relacionamentos extraconjugais. Sob o manto de desrespeito, descaso, desamor com a ligação entre uma mulher e um homem, afirma-se que a sensualidade, a vontade, a pulsão devem desaparecer. Como?Sublimação é o que combina com fidelidade!Fidelidade funciona se houver patrimônio, satisfação sexual e diálogo. Como é muito difícil esta mágica combinação, resulta que a sublimação é muito mais forte do que a condição humana. Por isto a fidelidade como condição de felicidade é grilhão, por vezes, difícil de ser suportado.Louve-se as mulheres por pregarem a fidelidade. Aqui, uma derradeira observação, aparentemente as mulheres mostram-se satisfeitas com um único companheiro e chamam a isto de amor (mais a bagagem de emoções).
14.2: O desejo do homem ou desejo masculino
O homem não quer segurança patrimonial, quer procriação, satisfação sexual e fidelidade para se unir.Realmente sobre a questão material é mais irresponsável. Desejou a mulher, desde logo quer se unir com ela, ter um fieira de filhos, sentir-se sempre saciado sexualmente, não admitindo possa a mulher deitar com outros varões.Todas as vontades do homem são desvios educacionais.Evidente que não é errado desejar sexualmente a companheira, ter filhos e querer que ela seja somente sua. A problemática está em que face os mimos em sua educação não valora o custo material de um tal relacionamento, não sabe que a mulher tem suas necessidades e sobre a fidelidade, aprendeu, tão só, a fêmea é que não pode conhecer outros varões, mas que a esses, no campo sexual, nada está vedado. A isto chama de amor (mais a bagagem de emoções).
14.3: A mulher e o homem : o feminino e o masculino
Diferentes são os desejos destes seres, ou diversas são as reações destas tendências que teriam sido criadas para se complementar.Parecem, até, formas de vida ou modos de agir incompatíveis.A questão, no entanto, é mais sociológica que biológica e gira em torno, especialmente, da satisfação sexual. Não há dúvidas neste sentido.Daí a dificuldade de conceituar-se amor. Foge do nível médio dos humanos o amor entrega, o amor idílio, a unilateralidade. É indispensável a contraprestação, por isso o amor é egoísta.Amor, enfim, como o romântico discurso da infinita cumplicidade, do dar sem esperar, é vã palavra, pois inexiste. Não se trata de pessimismo, nada se tema. Disso, diz-se, isto sim, como verdade indiscutível. A coisa é singela. É claro que a mulher se fixará especialmente num varão, ocorrendo o mesmo com ele. Nada é indicativo, entanto, que não se atrairão por outros homens ou mulheres, ainda que não em mesma intensidade, mas sempre sentirão a necessidade de nutrir certas lacunas. Ninguém preenche tanto a vida de outrem!É egoísmo querer outras experiências, mas é egoísmo evitar que aqueles que amamos as tenham. Não há solução para este impasse!Ora, esse comum egoísmo de amores femininos ou masculinos, sejam mulheres ou homens num ou noutro papel, possui também a faceta lúdica, de brincar com quem se ama.De modo objetivo, dizemos nada faz mais bem ao gênio, ora angelical, ora maligno, chamado Ego, de saber somos amados por alguém e, aqui, amado, significa a relação com o outro princípio, o feminino ou o masculino.Quando descobrimos, nos revelam, intuímos do amor por outro ser, a nós, estejamos ou não tendentes a corresponder, inflamos, verdadeiramente, com esse ar olorizado pelo sentimento alheio – por nós – ah, que magia, a potestade é nas nossas mãos e jogamos com esse amor estrangeiro, insinuamos, alguma vez, correspondência, carinho, mas predomina, entretanto, o dulcíssimo sabor de outra pessoa sentimentalmente dependente.E o ego, o amor egoísta, explora esse sentir, dá-lhe doses, normalmente parcas, para não saciá-lo, outras vezes nega-lhe cuidados, submete-o à abstinência para vê-lo sofrer, temer a perda, nem que seja a perda da indiferença cínica. Permite um certo conversar, dá sinais de um dia, quem sabe, ser possível algum elo, alguma amizade ou relação.O Egoísta Amoroso, caso não caia nas armadilhas do Amor Puro – que é muitíssimo astuto, matreiro e raro - vai gozando, fruindo o amor peão, lançando-o pelo tabuleiro da auto-satisfação, sujeitando-o aos bispos, torres, cavalos, rainha ou rei de seu temperamento.O amor, se de um só, na busca do complemento, da formação do par, sofre como um fraco espírito, duende, elfo, anjo, inerme às artimanhas do poderoso Ego.
Capítulo 15:
A FILOSOFIA
O que é a filosofia senão a arte de estudar o ser egoísta e estimular sua existência?Explicamos.Desde Parmênides (para não retrotrair mais) com o que se ocupa a filosofia?Teorias as mais variadas buscaram justificar a existência, o ser, o dever-ser, a moralidade, a sanção, o empírico, o apriorístico, classificar as coisas em vegetal, animal ou mineral, buscar a verdade, a verdadeira ou a certa, tudo isto para que?Num antropomorfismo inevitável, para enquadrar o ente máximo da natura no contexto da vida - o ser humano!Ora, a filosofia é o hino do egoísmo!Na verdade, por óbvias circunstâncias, dedicou-se somente ao estudo do homem, o que podia e o que não podia, seria belo ou feio, bom ou mal, num ciclo maniqueísta, por trás do qual, o pensador pretende que todos louvem-no, seja porque morre por seus ideais, seja por mostrar-se capaz de renegar os antepassados, criando (ou recriando) concepções para seus assemelhados.A indagação - O que é a verdade? - repetida por tantos, deve ser assim respondida:Nós, os seres humanos, não somos tão relevantes para a natureza, ao ponto de merecermos graduações de dignos ou de indignos, de justos ou de morais. Somos mais uma espécie a vagar num dado momento da história universal.Precisamos criar conceitos, concepções, para vivermos? Saber o que é moral e ético é tão relativo quanto a nossa vida!Tudo o que é concebido, o é dentro de um determinado modelo, para acomodar um certo fim. Isto é egoísmo.Não seria melhor filosofar imaginando que somos mais uma peça no plano existencial, na manutenção da vida? Que funcionamos simbioticamente ou em relação de mutualismo ou comensalismo com outras espécies e coisas? Na realidade, o pensar humano é predatório para o próprio homem, posto que se à forma não se acomodar a peça (o ser), qual a cama de Procrustes [4], inevitavelmente iniciar-se-á um processo de exclusão ou de adequação.Não se diz aqui que de todo é desnecessário o estudar o homem, ao contrário, precisamos nos compreender em nosso próprio momento histórico. O que defendemos, porém, é que mesmo toda esta compreensão não tem sido suficiente para controlar a sanha humana de conquista e de poder. A história registra que nós, os seres humanos, não nos detemos em nossas metas, mesmo que repudiadas. Daí a compreensão de que a filosofia deve estar errando em algo, porque mesmo se admitindo que nenhum compromisso tenha com o homem concreto, posto que se concentra no homem ideal ou virtual, é verdade, por essa mesma razão, que é extremamente egoística e talvez possa vir a servir para esse mesmo homem, quando passar a estudá-lo, não a partir dele mesmo, mas considerando-o como partícipe (e não autor) da realização das coisas.Parece que a preocupação de perceber as coisas e compreendê-las, seja a partir do conhecimento ínsito do objeto, pelo pensar, seja pelos sentidos e sua correlação com a coisa, circunstância a levar à conclusão de veracidade do que se vê ou sente, serve tão somente para consolar o homem, fazendo-o pensar em sua egoística superioridade em relação a tudo o mais que possa existir no orbe.Ora, não se revela nessa mesma medida conduta em torno do ego?E mesmo que se diga que isso se dá para o aprimoramento do ser humano, o que não duvidamos, é forçoso reconhecer: esse tal aprimoramento prestará somente a semelhante ser.Não se mostra claro, após milênios de existência do homem e suas meditações, qual o benefício ou utilidade para a manutenção de nossas reservas animais, minerais ou vegetais, ou mais ainda, é absolutamente obscura a validade das construções em torno do homem quanto ao fim a que se prestam, pois o saber adquirido não lhe tem melhorado o modo de viver, ao contrário, tem se mostrado modo de acentuar-lhe as indagações e de enredar mais seu comportamento em complicadas proposições, as quais possuem, no entretanto, somente a mesma mensagem : é o melhor, é o único, é o escolhido, domine o que está a sua volta, pode guerrear, pode ousar.Parcial conclusão: Para a elevação do homem o filosofar ou o querer conhecer é plenamente justificável, mas como tudo quanto for absorvido o será tão só em benefício da existência dessa criatura que se diz pensante, não se poderá recusar a constatação da parcialidade do bem que possa trazer todo esse esforço, que melhorará, se melhorar, unicamente a convivência humana, talvez até em detrimento do todo à sua volta, apesar desse todo - que é ignorado - ser a base de sustentação de qualquer ser, inclusive aquele que pensa.
Capítulo 16:
OS ESPERTOS
No meio de todas as categorias e classes sociais, e, portanto, entre todos os tipos de pessoas (inclusive os egoístas), destaca-se um especial egomaníaco, grassa o ególatra por excelência, que apelidamos de “esperto”.Mas qual defeito (qualidade?) possui o esperto para figurar como egoísta dentre os egoístas?Trata-se da sua inoportunidade desbragada, pronta para, em todas as ocasiões, gerar desconforto a alguém, em benefício de seu próprio comodismo, de sua ignorância, agressividade etc.O esperto se manifesta em qualquer aglomeração humana:
· É o que edita uma lei para a conveniência de seu grupo, sem mensurar a agressão à democracia que lhe conferiu potestade; · É o que atravessa, no trânsito, um sinal fechado, para não ficar poucos segundos parado; · É o que intercepta uma fila, pondo-se à frente dos demais que já nela aguardavam; · É o que se aproveita das fragilidades institucionais para obter favores em detrimento daqueles que conquistam seus espaços meritoriamente; · É aquele que abusa da paciência de seus vizinhos, com excessos vários capazes de retirar o sossego alheio, sejam pela sujeira, pelo modo ruidoso de ser, por deixar o portão aberto, reter o elevador em seu andar, não devolver o carrinho de supermercado à garagem, fumar em locais fechados (elevador, salas etc.); · É aquele que se curva e aceita ajuda dos poderosos, mesmo em prejuízo de terceiros.
O esperto nada mais é do que uma pessoa moralmente corrompida, arrastando-se em sua frustrada e vã existência na busca de um lugar que é incapaz de conquistar por meios confessáveis, vivendo parasitariamente no ventre da sociedade, evocando hinos ao egoísmo.
Capítulo 17:
OS MOVIMENTOS
Modo curioso do ser humano realizar seu egoísmo está contido nos movimentos de massa.Com efeito, ao longo de seu histórico comportamental podemos conferir que a pessoa humana tem acalentado uma incontável série de pretensões tais como mudar o eixo do poder político, isto é, tirar um governante tirânico para colocar outro justo, separar seu território do resto daquele pertencente a um determinado país sob o fundamento de que as bases culturais são incoincidentes, ou, simplesmente, para assumir tal poder. Ora, ainda que se possa encontrar no inconsciente coletivo alguma uniformidade que mantenha o grupo unido em seus projetos, manifestações, correntes de pensamento e ações propriamente ditas, a realidade é que no âmago de cada partícipe há uma mensagem individual, uma chama de anseios, de desejos de auto-satisfação e estes são os efetivos combustíveis provocadores da mobilização de cada componente do grupamento e, oxalá, se todos almejarem ser felizes, o egoísmo celular, torne-se um corpo de felicidade, que é pautada, entanto, na egoística força motriz que é a individualidade.Movimentam-se os homens, de igual maneira, sob a justificativa de que seus semelhantes são explorados, vilipendiados, menosprezados em suas mais básicas prerrogativas, chamando a isto de direitos humanos. Pois bem, mesmo nessa seara, a leitura final que pode ser feita é a de que os protetores dos direitos humanos (tal qual os detratores) não estão pensando exatamente naqueles todos excluídos, hipossuficientes e desprezados, não, protegem-nos por um mecanismo de transferência, ou seja, não querem no porvir serem as vítimas da opressão, da omissão, da violência, da ignorância. Querem, isto sim, ser plenos de bem-estar, de alegria e de conforto e, por isso mesmo, vislumbram que se não erradicarem as mazelas realizadas contra as pessoas desprotegidas, os ventos de procela poderão soprar contra suas vivendas. O sumo, pois, dos direitos humanos, nada mais é do que o egoísmo.No mesmo vértice do tratamento que se dá aos direitos humanos, podemos anotar que o trato aos interesses difusos, como por exemplo, a proteção à natureza (flora e fauna), encontra-se menos preocupado quanto ao esgotamento dos recursos naturais, ou se tal animal desaparecerá ou se tal planta se extinguirá, do que com o próprio bem-estar das pessoas.O anseio de perpetuar a natura tem a percepção de que o caos ecológico não poupará a raça humana e, logo, sendo indispensável à nossa sobrevivência a do meio-ambiente, tomou-se de dores o homem por ele, porém sempre vislumbrando sua melhor condição e não, exatamente, a do meio-envolvente e, nesse sentido, não delira a pessoa humana, nem em face da natureza e nem tem forças e capacidade para isso, do seu velho egoísmo, que se manifesta como um tipo de instinto, como seria o faro canino ou a visão felina.
Capítulo 18:
A PALAVRA
Semiologia, semiótica, “do verbo se fez a ação”, estabelecer o discurso para criar a práxis, ação comunicativa, tudo está em relação ao uso da palavra e o que pode ela significar.Agostinho, o Santo, no trabalho “O mestre”, demonstra com eficiência as armadilhas da palavra e o ser humano tem-na como seu principal instrumento de vida social e, logo, trata-se da grande ferramenta de seu egoísmo.A polissemia e as figuras de linguagem podem nos oferecer a complexidade da teia lingüística e os torvelinhos em que somos envolvidos consoante o uso da palavra.A palavra é conhecida como significante e pode assumir vários significados, e desse modo, sequer podemos estar seguros de que proferido um significante, tenha quem o proferiu a mesma compreensão do sentido de quem interpretou a palavra, dita ou escrita.Vamos além, haja vista que a polissemia é cotidiana e banal, e a incompreensão pode estar ligada mais ao desconhecimento do destinatário do que o indevido uso do remetente, ou pode relacionar-se com o interesse do emissor da mensagem de dotá-la de incerteza, ambigüidade, ao efeito de submeter o receptor o seu jugo ou levá-lo ao erro. Estas duas situações, per se, demonstram quão poderosa é a palavra, não pela força da difusão da idéia que contém, mas pela multiplicidade de idéias que pode levar e os variegados e dúbios sentidos que pode produzir.
Em mãos egoístas vem sendo a palavra potente artefato de auto-consagração e de destruição, bastando, ao hábil egoísta apoderar-se da polissemia.Nesse mesmo viés temos os tropos, os “ornamentos do discurso”, mais conhecidos dentre os mortais como figuras de linguagem.
Apreciemos:
METONÍMIA - “consiste na troca de palavras, isto é, emprega-se uma palavra por outra e esta lembra a que foi omitida. Traduz íntima relação entre o significado que se deseja transmitir e o significado usado para expressá-lo”. Ex. Sorver uma garrafa de vinho
SINÉDOQUE - “designa uma realidade por outra de extensão diferente, isto é, emprega o menos pelo mais ou vice-versa. Constantemente, seu âmbito de ação colide com a Metonímia e, não raro, à significação da mesma palavra se aplicam os dois tropos. Exemplo: a palavra vela pode ser tomada como ‘parte’ do barco (Sinédoque) ou lembrar o barco (Mitomania)”.
METÁFORA - “ocorre quando se quer dar à idéia uma forma mais convincente ou ampla, através de um significante analógico, podendo esta semelhança ser física (ele é um tigre em defesa da família) ou moral (ela morre de ciúmes)”.
CATACRESE - “é das figuras mais importantes. Ocorre sempre que uma palavra assume definitivamente o sentido de outra, pela inexistência de um significante específico para o significado que se deseja expressar. Assim:
Caderno - significa quatro folhas.Livro - traz o sentido de livre, solto”.[5] Bem se pode verificar como complicado se torna o mundo; expressões diversas para significar coisas ou eventos. E a própria complexidade da nomenclatura: sinédoque, metáfora, catacrese etc.A estrutura labiríntica da língua vem demonstrar evidente compulsão humana em desavisar a realidade, criando diversificados modos de distraí-la e tudo para satisfazer sentimentos particulares de criar esferas personais, onde poucos eleitos, estupefatos pelos ardis lingüísticos, dobram a cerviz ao ídolo palavra e, muitas vezes, para nutrir o egoísmo, de modo tredo vitupera o egoísta a todos com sua logorréia, em destemperada verborragia, desapegada de outro sentido que não aquele de favorecer de algum modo seu bem-estar de manipulador lingüístico.Os sábios, os poderosos, a mídia, o escritor e todos os demais se valem da palavra para ativar seu egoísmo e a desdobram em tantos sentidos e criam tantas figuras, que já não se pode dominar ou utilizar, com mínima segurança, a ferramenta mais básica do social que é a linguagem.Qual então, onticamente falando, a axiologia da palavra?Difícil, impossível resposta, é dizer, eis que os valores estão jungidos à ética dos grupos ou àquela individualizada deste ou daquele ser.Porque ausente uma efetiva cultura humanística, inexistente uma concreta compreensão de que as pessoas precisam viver umas com as outras, não possuímos, ou melhor, sequer possuímos mecanismos para verter assertivas que possam servir a parcela considerável dos indivíduos humanos e, dessa feição as coisas, continuaremos nessa babel de egoísmos, numa verdadeira algaravia, onde os idiomas assemelhados são o poder e a economia e os dissonantes e incompreendidos e incompreensíveis são a solidariedade, o amor, a igualdade e a liberdade.Para remate, é de timbrar que os governantes e os legisladores quando se mancomunam são dos que mais distorcem o senso geral que as palavras mereceriam ter.Quando prometem aos seus eleitores, falam a linguagem das serpentes, pois dão os signos que a massa compreende, mas não revelam os sibilos, digo, significados de suas palavras, as quais partem de significantes diferentes daqueles da população.Em outros termos: mentem!São, sim, insinceros, basta conferir que ao assumirem o poder público, na verdade anseiam por um poder privado pelo modo egoístico que o exercem; AS SUAS PALAVRAS TORNAM-SE MENOS SINGELAS, DE MAIS DIFÍCIL COMPREENSÃO; o grave, entanto, é que se metamorfoseiam em arrogantes, despóticas e plasmam com a mentira a soberba de um falso poder.São, igualmente, tão pretensiosos estes pseudo-poderosos ─ na mentira não há poder legítimo ─, que não possuindo as leis, por exemplo, os significantes que lhes interessam, simplesmente suprimem-nas, roubando-lhes o significado e o alcance social e criam outras ─ que não podem ser conhecidas como leis ─, adequadas à sua arquitetura egoística de poder.Fazem isto, e é de pasmar, com as Constituições, como se um grupo, de temporário percorrer pela potestade estatal, pudesse se alçar na voz do povo, no brado duradouro que formou e continua formando um povo.Como é errado e falso este agir, como é egoísta esta conduta, e como é idiota, pois nalgum dia, nalgum momento, tal permissibilidade, ou seja, a possibilidade de aviltar direitos, atingirá também os egoístas, num novo discurso, numa nova mentira, com novas palavras de anciãos significantes.Precisamos de bocas sinceras, de penas francas, dimanando veras palavras!A palavra, por enquanto, somente tem algum valor ao filólogo, ao léxico e ao exegeta, mas pouco ou nenhum benefício tem oferecido à média sociedade.
Capítulo 19:
A FELICIDADE
Filão inesgotável é falar de felicidade e é buscar a felicidade.Alguns dizem que o Direito tem como meta encontrar a felicidade.Outros sustentam ser felicidade tudo o que o ser humano pretende encontrar, almejar, alcançar, podendo, mesmo, ser até a infelicidade, quer dizer, poderei ser feliz se desejar ser infeliz e for infeliz.A realidade, entanto, é mais singela.Seremos felizes quando nos libertarmos do Standard antropomórfico nas nossas atitudes e discursos.Parece evidente que a procura incessante de felicidade decorre da vocação do ser humano no sentido oposto, ou seja, de cavar sua própria dor e contrariedade.É palmar que nosso sentimento de concorrência, de sobreposição e de dominação das demais pessoas e do meio, que esse exercício do ego, é vereda árdua e prenhe de obstáculos, vencidos, todos eles, com a obstinação humanóide, mas ao custo de seu bem-estar e de sua felicidade.Claro que a conquista pode ser chamada de felicidade e o destaque do individual no coletivo igualmente. Mas qual foi o preço disso?Felicidade, porque é conceito humano, é tisnada, marcada com o vezo do ego e, pois, da individualidade. É tesouro que jamais encontraremos íntegro.
Capítulo 20: A IMPROBIDADE
Acaso quando falamos de probidade de que realmente estamos a tratar?Proba é a pessoa pautada por um conjunto de valores capaz de conduzi-la nas suas relações interpessoais e sociais e que determina um modo de viver com aceitação coletiva.Em outras palavras, probo é aquele que envereda pela teia social e obtém, de regra, por suas atitudes, integração em seu grupo, o qual chancela seu viver e seu comportamento como sendo correto e adequado ao modelo daquela sociedade.Age com probidade, portanto, o indivíduo tido como bom, honesto, direito, razoável e que possui atitudes reconhecidas como aceitáveis e previsíveis.A probidade, bem se vê, está ligada a uma concepção de confiança e vinculada à observância dos prefalados valores de uma determinada comunidade.Quais valores são estes?A própria expressão confiança indica a noção de fidelidade.Esta por sua vez denota clara idéia de honestidade, que por sua vez conduz à coerência e à previsibilidade das ações.Some-se, ainda, razoabilidade, retidão de caráter, seriedade no cumprimento das tarefas e deveres respectivos.Um ser humano possuidor dessas qualidades pode ser tido por probo, diria, até, pode ser tido por perfeito, bastando, para isso, adicionar, bom humor, criatividade e amor.Claro que não se está sugerindo permanente coerência, razoabilidade imaculada ou perfectibilidade no resultado das tarefas. Não se quer um mito, mas uma pessoa que apesar de suas arestas, traz essencialmente, no seu imo, o germe dos valores indicados.E quando se percebe que esse homem ou aquela mulher não possuem probidade?Quando seu egoísmo malus vem de se manifestar; quando seus critérios particulares preponderam especialmente sobre a fidelidade em relação aos seus pares; quando, enfim, recusa a máscara social e se permite julgar isolado, apresentando-se a um mundo sem inter-relacionamento. Esta conduta é conhecida por improbidade e se manifesta de várias formas, possuindo, entanto, apenas um vórtice: o egoísmo.Dessa maneira e por isso é que se ouve falar em quebra de decoro parlamentar, em improbidade administrativa dos agentes públicos, em traição de amigos e em lesão à moralidade.O ser humano não tem facilidade para ter e manter atributos de moralidade, eis que esta pressupõe aceitação de que todos necessitam de respeito e de dignidade.Um ser moral é aquele que almeja a si próprio um bem-estar compartido, que possui um projeto de vida onde a sociedade interage e que não necessita se ocupar das recomendações e normas de seu meio, pois as assimilou atavicamente e elas dele manam naturalmente.É óbvio que disso já se tratou e concluiu-se que só as regras morais não são suficientes para o bípede pensante, vez que ao longo de sua história mostra-se incoerente com o delineado, pelo grupo, para ele.Então, porque tratar de enfadonho e repetitivo tema?Busca-se focá-lo, exatamente, sob o pálio da ataraxia, de conferir a incapacidade de dividir, de compreender que se seu momento está adequado para que não sofra quaisquer tribulações, tenderá a não querer mudança qualquer que forje qualquer preocupação.É justa esta constatação?É justo esperar que deixemos um campo apascentado para seguirmos o carma social e contribuirmos para que a sina de todos semelhe à nossa, com conforto, sossego e um devir aberto às melhores possibilidades?A resposta dependerá de quanto somos probos ou quanto somos egoístas!
Capítulo 21:
A AMIZADE
Das manifestações humanas talvez a mais marcantemente pura, possuidora de egoísmo naturalis, seja a amizade!Esta fraternidade não consangüínea que vem dos amigos é daquelas magias, daquelas forças telúricas que felizmente as pessoas não podem controlar. Um belo dia qualidades ou mesmo defeitos de alguém nos fazem almejar sua companhia – sem sensualidade ou prazer sexual – simplesmente aquele ser traz conforto moral ou espiritual e forja uma aproximação que no amor sexual não seria possível.Pois bem, parece, então, desprovida a amizade do egoísmo, mas tal não é verdade.Há tendências egoístas na amizade. Por exemplo: as pessoas querem sentar próximas umas das outras, querem poder dividir um bom ou mau momento, pensam que podem criticar, sentem-se tão livres que imaginam poder usar bens ou valer-se de favores do amigo.São atitudes despercebidas, mas jungidas a uma libertação do ego e que se prende à tirana postura de ser amigo e de poder fruir dos benefícios da amizade.O bicho humano vai ao trabalho do amigo em horários impróprios, refere à família do outro como secundário ao elo que os prende e, mesmo, despretensiosamente acaba tentando monopolizar as atenções.Não fosse isso, há o anteparo moral da amizade, que gera dependência e, nalgumas situações, esta é irreversível.A amizade tem menos medida que o amor ou a paixão, pois independe das causas daqueles sentimentos e é agrilhoada por elo mais forte: a empatia.A vereda da amistança é pavimentada, não possui obstáculos e os egoísmos referidos são tolerados e por isso a amizade é amoral, não exige fidelidade, nem boa-fé ou honestidade.
Capítulo 22:
A CRENÇA, A FÉ E A ESPERANÇA
Crendo tem-se fé e esperança?Crença, fé e esperança são argilas religiosas moldadas no retórico sacerdotal dos templos?O prospectar do espírito humano em busca da satisfação de suas necessidades, para suprimento da falta de rito e organização à sua existência, depende de elementos externos a nutri-lo com temas e mecanismos de compensação e quando os encontra, readquire ou assume uma crença, que pode ser num bem, numa pessoa, numa possibilidade, no próprio porvir.A crença é um sincero sentimento centrado em algo ou alguém e que dota a pessoa de segurança na redoma de realidade que a cerca.Fé é metafísica, não é apoiada em coisas ou pessoas, mas é uma aceitação de que forças há a acolher o prosélito em momentos de procela e desdita.Trata-se de um conforto que os homens se auto-atribuem para apaziguar suas almas, gerador do sentimento de pertença.E a esperança tem relação com a crença ou com a fé?A esperança é motor de uma ou outra, pois é ela inculcada na própria essência humana e, por conseqüência, é instrumento egoístico forjado nas defesas contra ameaças quaisquer ao bem-viver e, assim, pela esperança são aceitas as pessoas ou coisas a seu ver propiciadoras de bem-estar, e vai além, e diz a seu titular de que tem mesmo o direito de pertencer ao cosmos e que, em verdade, deve ele aceitar sem provas que há uma entidade que o protege, ama e que interferirá em seu favor perpetuamente e que tem o dom do perdão igualmente perene.A esperança diz para se ter crenças e fé, ela é a motivação de uma ou outra e o que significa, senão, que as pessoas querem estar amparadas de qualquer maneira e que são meritórias apenas por serem humanas, de crer ou ter fé e que isto as “salvará” ou das mazelas dos semelhantes, ou dos males do mundo.Tão conveniente é a esperança que, nitidamente, com um pouco de atenção, será possível perceber que ela nada mais é do que o bom e velho egoísmo, que busca à conveniência do ente humano dar-lhe agradável lenitivo a sua existência, ou seja, gerando para si mesmo uma explicação do porquê compensa ter vindo ao mundo como ser humano.Há coisas a ser fazer, há em quem crer e, especialmente, acreditar, sem provas, que um Gênio Universal – qual um grande Pai tolerante a tudo – barrará todas as coisas ruins.Este sentir de auto-preservação, é o próprio alavancamento do ego.
Capítulo 23:
O FUNDAMENTALISMO
O humano, embora capaz de prodígios tecnológicos, artísticos, literários e, até, por vezes, solidariedade, desgraçadamente tem o repreensível hábito do egoísmo malus a concorrer com a angulação positiva de sua índole e decorrente do descontrole de seu ego vem construindo – sempre o veio fazendo –, aperfeiçoando a sua verdadeira conduta ou ação.A realidade desse exercício de aprimoramento do Ego, nele detecta-se a somatória de todos os “egoísmos” já indicados, podendo ser considerados como o real comportamento humanóide, na sua toada efetiva, na sua única atividade: a monomania intitulada FUNDAMENTALISMO.Todo o conjunto dos seus planos e atitudes são voltados a dar conforto a determinados complexos de opiniões e vontades.Das religiões manou para os povos – meio social e política –, com facilidade, a mensagem de uma indispensável, literal, irracional genuflexão a comandos e livros “sagrados” contempladores de todo o necessário para a vida e a felicidade das pessoas.Para garantir a higidez da ortodoxia da palavra santa, uniformidade na obediência e na busca da “existência feliz” alguns poucos receberam – ou melhor se auto-irrogaram – a prerrogativa de interpretar os manuais inspirados pelas divindades, cabendo aos demais seguir seu “vaticínio clerical”.E se houver diversidade no pensar?Ai daqueles que não aceitarem as palavras sacras das leis divinas, seja porque não crêem em deidades, seja porque desconfiam do intérprete.São inimigos do bom, do certo, do justo!Lesionam o moral da sociedade, maculam a vontade do Senhor e devem pagar por isso!Daí vêm os expulsos, os esquecidos, os executados, os invadidos e os convertidos a manu militari.O Fundamentalismo é a superlativação do Ego.É uma forma de loucura em que um único pensamento ou idéia absorve a mente do indivíduo, uma idéia fixa, obcecação que acomete todo o ser humano.Treinadas e ensinadas as pessoas na religião a verem seus modelos como únicos e impositivos aos ímpios e infiéis, plasmaram esse conceito para tudo em suas amesquinhadas e egoístas existências, daí para frente forçando a implementação, através dos tempos, de suas formas de governo, vestimenta, alimentação, dinheiro, hábitos os mais variados, tudo sob o fundamento de as coisas superiores virem daqueles que pretendem reinar – dirigir vidas com “paternalismo rígido” – sobre os demais.Fundamentalismo, enfim, é apenas uma nomenclatura sofisticada para dominação à base de fundamentos ou regras de atenção obrigatória e fiel, sendo desimportante neste Século XXI se se trata de questão religiosa, política ou econômica, tudo está fundido, retornando ao começo deste discurso, à busca e preservação de poder, preferencialmente exercido de modo que a ignorância, a obediência e irresistência predominem na população.Trata-se, em síntese, de provocar com determinadas linhas de agir e pensar uma idiotia generalizada, impedindo o grupo social de raciocinar sobre suas escolhas e caminhos e a massificação ao tornar idiotas as pessoas em seu conjunto, nutre e forja o egoísmo daqueles que tomaram a si o modo de ser dos demais.Inexiste pessoa, ente com ideação e vontade própria, sonhando, desejando seu espaço físico, social e espiritual. Pelo fundamentalismo ninguém possui projeto de vida – salvo se for considerada a submissão ao standard fundamental a sua elaboração – não há autorização para um marca personalíssima, estamos mais para uma colméia do que para uma sociedade erguida com o burilar das diferenças formadoras de uma cultura real.Não há um domínio total – ainda – dos fundamentos dos dominadores, mas há um grande investimento material e moral na assimilação das pessoas a essa comunidade de uniformidades idiotizadoras.O Egoísmo na sua performance fundamentalista suprime o pensamento e reprime a liberdade.
CONCLUSÃO
Nossa proposta, talvez, pareça muito cruel ou negativa em relação à natureza humana, embora a pretensão deste ensaio nem de longe seja desvalorizar o ser, até porque seria extremamente contraditório com as idiossincrasias inatas do homem e, portanto, também nossas, meu egoísmo projeta-me para o centro dos interesses, o centro do universo, para a alegria, a felicidade e o conforto plenos.Efetivamente não quisemos para nós e nem para ninguém indicar uma existência medíocre, mas não pudemos deixar de indagar, com Ingenieros, somos homens superiores, medíocres ou inferiores?Quais as motivações de nossas ações?Somos bons ou maus?Temos moral ou somos amorais?Somos o resultado final da criação? O supra-sumo insuperável da natureza?A quintessência? Nada haverá melhorar ou de melhor?Ao respondermos que temos bondade, moralidade e sugerirmos sermos o ápice de toda a criação nos estaremos atribuindo qualidade sobrenatural? Somos animais, ou deuses, reinando sobre toda a criação e determinando o que deve existir e o que deve desaparecer?Os modelos que seguimos são o ideal para a raça humana?Como seremos felizes?E, por fim, toda e qualquer resposta não estará nutrindo, tão somente, nossa própria e particular visão de mundo e de realidade?Sendo, como desenhamos nos vinte e três capítulos, nossas ações ou silêncios meros manifestos da individualidade humana, esta se justifica em si mesma, descontextualizada de todo o equilíbrio entre homens, animais, plantas e mesmo os minerais?Haveremos de nos comportarmos “macunaimicamente” até quando?Eis a proposição em cada crítica ao homem, ao ser humano.Devemos parar e pensar: nossos passos trilham em direção de um bem-estar, ou precisamos refazer nossas metas, reescrever nossa história, nos encaixando no mundo e não nos isolando dele, como se pairássemos sobre ele, numa espécie de Olimpo, não vulneráveis aos males que sobre ele recaiam?Pareceu-nos claro, no desenvolvimento dos diversos tópicos, nosso isolacionismo, nosso descompasso com as efetivas necessidades da vida.Ficou difícil encontrar na conduta humana verdadeira solidariedade, amor, sinceridade, mais evidente se mostrou a alimentação do ego, com reservas de poder, com manipulações, com discursos vazios (talvez até este não tenha sido localizado!), com ajudas e engajamentos pautados em falsas premissas.Derradeiramente, não vimos como negar o egoísmo humano e nem sempre o verificamos como algo negativo, mas buscamos a todo momento interrogar: a pessoa humana é só egoísta, ou haverá algo mais que a possa tirar da mediocridade, alavancando sua existência para uma realidade mais ampla, mais universal, sem exclusivimos, sem sectarismos?Levamos à reflexão o que descrito, arrogantemente imaginando que a sua leitura funcionará como espelho, no qual as pessoas, em algum dos nichos de egoísmo se enquadrarão e, eventualmente, sentirão necessidade de não mais se identificarem com tão vil existir. O diálogo entre Hamlet e Ofélia faz plasmar as formas bonus e malus da natureza humana e revela, num momento de loucura concretizada, como é pobre e amesquinhado o bípede pensante, mormente quando desvestido dos elementos que formam sua couraça egoística, quais sejam, dentre outros muitos, o orgulho, a vingança, a ambição e a desonestidade.Resta, às pessoas, considerar como cada uma será se desnudada de sua carapaça de egoísmo, restará alguma coisa, ou qual o príncipe dinamarquês ficará apenas o silêncio da morte e no caso não o decesso do corpo, mas da moralidade que deveria reger o relacionamento humano?Apreciemos o colóquio:
Eu, de mim, considero-me mais ou menos honesto, mas poderia acusar-me de tais coisas, que teria sido melhor que minha mãe não me houvesse dado à luz. Sou orgulhoso, vingativo, cheio de ambição, e disponho de maior número de delitos do que de pensamentos para vesti-los, imaginação para dar-lhes forma, ou tempo para realizá-los. Para que rastejarem entre o céu e a terra tipos como eu? Todos somos consumados velhacos…
[1] Diálogos. São Paulo:Cultrix, pp.46 a 49, 55, 59 e 61.
[4] Apelido do bandido chamado Damastes ou Polipêmon, que assaltava os viajantes entre Mêgara e Atenas. Procrustes obrigava os viajantes altos a deitarem-se num leito menor que eles, e os baixos num leito maior, cortando as pernas dos primeiros e puxando violentamente os pés dos segundos para ajustá-los às camas. Procrustes foi morto por Teseu. pg.339, Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Mário da Gama Kury, Jorge Zahar Editor.